Este é o blogue agregador da cadeira de Estratégias de Comunicação referente ao ano lectivo 05/06 no Isla Gaia.
Os jornalistas são como os parafusos; é preciso dar-lhes a volta para eles cederem...





LPM mudou de opinião!

May 24, 2006

Lembram-se de LPMartins ter dito, na nossa palestra, que era contra algum tipo de regulamentação? Pois, parece que mudou de opinião:

«Sempre defendi que a actividade das empresas de conselho em comunicação não deveria merecer regulamentação específica, mas a polémica lançada por Manuel Maria Carrilho obrigou-me a uma reflexão acerca do assunto e a mudar de opinião. Refiro-me em particular aos serviços prestados ao abrigo da disciplina de assessoria mediática (ou comunicação com jornalistas), embora o mesmo critério possa ser aplicado a áreas menos comuns como a comunicação de lobbying.
Pode uma empresa de conselho em comunicação prometer resultados no âmbito da assessoria mediática? Não pode, nem deve. Que sentido faz e que verdade encerra uma proposta onde se assegure uma determinada cobertura dos media ou uma favorabilidade garantida? Nenhuma. (…)
Sempre entendi que estas empresas desempenham um papel relevante na compreensão entre os jornalistas, por um lado, e as instituições e as pessoas que querem ter protagonismo mediático, por outro. Essa compreensão passa pelo respeito que cada uma das partes deve à outra. Passa, por exemplo, pelo conhecimento das especificidades da formação das decisões editoriais. E, pelos vistos, deve passar pela definição de um código de conduta que impeça os menos sérios ou os mais desatinados de fazerem promessas que não podem cumprir e que são eticamente reprováveis».
Público, 24/05/06
link: http://oquesepassa.no.sapo.pt/codigo%20LPM.htm

As estratégias de comunicação para dois livros

April 10, 2006

http://industrias-culturais.blogspot.com/2006/04/editora-guerra-e-paz-amanh-segunda.html
9.4.06
EDITORA GUERRA E PAZ

Amanhã, segunda-feira, serão lançados os quatro primeiros livros de uma nova editora, Guerra e Paz. Os títulos são: 1) Agustina Bessa-Luís, Fama e segredo da história de Portugal, 2) Eça de Queirós, Singularidades de uma rapariga loura, 3) Camilo Castelo Branco, Impressão indelével, e 4) Correspondência - Sophia Mello Breyner e Jorge de Sena.

No pequeno vídeo abaixo, regista-se a apresentação da editora pela voz de Manuel Fonseca, um dos seus principais dirigentes (imagens por mim recolhidas na passada sexta-feira).

A editora apostou numa inteligente campanha de marketing, que passou pela pré-publicação do livro de Agustina Bessa-Luís no blogue Abrupto e pela colocação de informação útil e de grande nível estético como a que resultou na capa da revista Pública de hoje (sobre o livro de troca de correspondência entre Sophia Mello Breyner e Jorge de Sena, em ilustração de Alex Gozblau). É um começo auspicioso.

Colocado por Rogério Santos at 4/09/2006 01:11:00 PM

«Publicidade oculta»

March 31, 2006

(Luis Salgado de Matos, Público, Segunda, 27 de Março de 2006, pág. 7)

«Entre as nossas instituições informativas há uma criatura tão atípica que nem tem nome certo: agência de comunicação social, ou uma coisa “a modos de assim”.
Estas agências recebem dinheiro de institutos públicos e empresas privadas para colocarem nos jornais notícias favoráveis aos pagantes e evitarem as críticas. A pedido da agência, o jornal publica notícias revelando a extraordinária actividade do gestor público Sicrano, ou a espantosa eficácia da empresa Chispêtêó - e não revela que o Sicrano quer ser reconduzido, pagando para tanto com o dinheiro dos impostos, ou que a Chispêteó faz facturação enganosa, à custa do público e portanto do leitor. As notícias a pedido parecem ser mais frequentes nesta época de assembleias gerais.
Parecem, pois o fenómeno é oculto. Melhor: só é conhecido quando essas agências fazem publicar nos jornais a publicidade gratuita dos novos contratos que assinaram.
Haverá algum problema no esquema? Talvez não. Essas agências tratam de pequenas coisas: se não for o Sicrano a dirigir o Instituto das Cremações Ligeiras, será o Beltrano. As agências são inócuas? Não são; fazem pedidos eficazes: após a publicitação dos contratos das ditas agências com o Sicrano e a Chispêteó, lemos nos jornais mais notícias, mais favoráveis, sobre o Sicrano e a Chispêteó - e nenhuma desfavorável.
A imprensa perde. Com efeito, os jornais tentam ter o monopólio da intermediação entre o leitor e a fonte; por isso, apresentam todas as suas notícias de modo a que o leitor perceba sem margem para dúvidas quem é o seu autor: artigos assinados; as “cartas ao Director”; a publicidade, que em geral se distingue por si própria; a “publicidade redigida”, imitando os artigos de jornais e por isso assinalada; as “notas oficiosas”, hoje uma raridade, em que o governo obriga os jornais a publicarem certos textos, que são aliás a única excepção ao poder absoluto que a lei dá ao director de recusar a publicação de um texto. Aquela exibição assegura ao jornal o seu monopólio da intermediação da informação escrita entre o leitor e as fontes. Os jornais só cedem o seu monopólio às agências de comunicação escondida.
É um mistério sem ser um milagre que a imprensa se preste a publicar estas notícias a rogo, deixando que outros vendam às ocultas o seu espaço e prestígio, pois, sendo séria, ela própria lança dúvidas sobre a sua seriedade. Fá-lo-á porque estas notícias são uma publicidade de segunda? Porque são a condição implícita na publicidade de primeira? Porque uma ínfima minoria de jornalistas tem uma agenda oculta?
Mesmo que este esquema seja um serviço público desconhecido, há um problema: o esquema é escondido ao leitor. O leitor lê uma notícia a rogo, julga ler o jornal dos jornalistas e, sem o saber, lê a publicidade oculta de um instituto público ou de uma empresa privada. Para evitarem um conflito de interesses, os jornais só deveriam publicar esses artigos precedidos do aviso: “Prosa a rogo”.
»

“Como os assessores tentam evitar notícias negativas”

January 12, 2006

(via Pontomedia)

The PR Playbook
(CBS) This column was written by CBS News correspondent Sharyl Attkisson.
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As someone who’s done a fair amount of investigative reporting, I’ve been encountering strikingly similar tactics employed by many press agents for government agencies (under both Democrats and Republicans), corporations, plaintiffs’ and defendants’ lawyers, non-profits and other entities when they perceive a negative story is coming their way.

Recently, when comparing notes with fellow investigative reporters, I learned I’m not the only one noticing these common strategies. In short, they seem to be operating from the same playbook. If there were such a playbook, it might read something like this.

2005 Top Ten Tactics to Influence Negative News: The PR Playbook (…)

segue-se a lista aqui. ALGUEM AS QUER TRADUZIR E OFERECER À COMUNIDADE?

Importante: a diferença entre jornalismo e publicidade

November 30, 2005

Nas aulas falámos muitas vezes sobre a diferença - a nível de credibilidade - entre jornalismo e publicidade; entre conseguir que a mensagem passe como notícia ou limitar-se à publicidade.
A explicação é esta: enquanto os jornalistas têm credibilidade, a publicidade tenta passar por jornalismo!

Aula 6: adenda

November 26, 2005

Relativamente à questão da publicidade que, para compensar a sua falta de credibilidade, se disfarça, sugiro esta ligação interessante de uma montagem que fiz (devem aumentá-la, para lerem melhor): é um caso de uma rádio do Brasil que diz claramente que não quer publicidade disfarçada.
A ligação é esta: http://oquesepassa.no.sapo.pt/publicidade%20CBN.jpg

“A origem do marketing”

October 30, 2005

ELEIÇÃO 2002
Em defesa do marketing político

Paulo José Cunha (*)

A origem do marketing
Atuo nesta área há mais de 20 anos. Participei do comando estratégico ou da direção de TV de diversas campanhas eleitorais. Não aprendi a fazer milagres. Provei o doce da vitória e o travo da derrota. E posso afirmar, de cadeira, que a maioria das críticas ao marketing eleitoral é tão infundada quanto acusar a televisão de ser a responsável pela dissolução dos bons costumes. Mas é bom lembrar que é possível, sim, criar algumas regras capazes de forçar os candidatos a expor e defender suas idéias perante o público. Alguns coleguinhas marqueteiros vão me acusar de matar a galinha dos ovos de ouro. Então, que tal aproveitar e fazer uma galinhada?

Em primeiro lugar, é preciso anotar e nunca mais esquecer que o moderno marketing político é filho da evolução das técnicas publicitárias e da massificação de veículos de comunicação, sobretudo a tevê. O marketing não tem culpa do que é. Até porque sempre existiu, desde que o homem das cavernas deu um jeito de matar o leão à vista do resto do grupo para mostrar que era o bambambam da tribo. E está em toda parte, até mesmo na menina que coloca o vestido mais bonito para conquistar o rapaz da esquina. O que ela está fazendo, sem saber, é marketing. Cristo subia no monte mais alto para falar aos discípulos. Ou seja: fazia o que era possível à época para ampliar a audiência. O nome disso, embora alguns torçam o nariz, é marketing. O cristianismo criou um genial símbolo de campanha – a cruz – até hoje imbatível como logomarca. Isto também é marketing. E, sem qualquer dúvida, na qualidade de candidato, Jesus Cristo é um sucesso absoluto, haja vista a avassaladora votação que vem recebendo desde que, há 2 mil anos, apresentou seu programa de governo aos homens de boa vontade.

Bem antes dele, na antiga Grécia, já existia a técnica da pichação, como a que foi encontrada num muro das ruínas de Pompéia: “Vote em Publius Furius. Ele é boa pessoa. Só os ladrões votam em Vatia.” Adolf Hitler descobriu a força das imagens, e inaugurou, via Goebells, o cinema de propaganda, antecessor do horário eleitoral gratuito. A televisão massificou as mensagens e os candidatos renderam-se à técnica de profissionais do ramo da publicidade. Até chegamos aos dias de hoje.

(*) Jornalista, pesquisador, professor de Telejornalismo, diretor do Centro de Produção de Cinema e Televisão da Universidade de Brasília. Este artigo é parte do projeto acadêmico “Telejornalismo em Close”, coluna semanal de análise de mídia distribuída por e-mail. Pedidos para

A texto na integra, aqui.

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