Este é o blogue agregador da cadeira de Estratégias de Comunicação referente ao ano lectivo 05/06 no Isla Gaia.
Os jornalistas são como os parafusos; é preciso dar-lhes a volta para eles cederem...





Aula 18

April 23, 2006

[realizada a 15/5/06)

Sumário: o “spinning” da informação; “spin doctors”; características, papel e funções

Spin doctor:
(não é fácil caracterizar, até pelas características relativamente secretas ou, pelo menos, desregulamentadas, da função); Ser spin doctor não é tanto um lugar para que se contrata alguém (“Precisa-se de…”), mas mais um conjunto de tarefas que fazem a função;Realizando determinadas funções, reunindo determinadas características, podemos dizer que estamos perante um spin doctor. É uma área das relações públicas.

Nas próximas duas aulas vamos conhecer dois exemplos: um ficcional («Conrad Brean» em Manobras na Casa Branca) e um real (Karl Rowe)
Ligação recomendada: http://en.wikipedia.org/wiki/Spin_(politics)

origem da expressão (que pode ser traduzida por mestre da manipulação);
to spin: fazer girar, alterar, desviar a trajectoria

quem é:
ex-jornalista
ex-politico
ex-publicitário

(tentativa de) definição:
- é uma espécie de grau mais elevado/sofisticado de assessor de imprensa (mas já não desempenha essas funções, porque não deve contactar directamente, embora possa ter a “fachada” de assessor político, de imprensa, conselheiro, etc.)
- “alguém que tenta influenciar a opinião pública através de uma informação favoravelmente manipulada, apresentada ao publico ou aos media, com vista a ganhar, no imediato ou a mais tarde, eleições”
- explorar quais os meios mais apropriados para alcançar os objectivos dos seus partidos ou candidatos”
- consultor de tecnologia política: “a manipulação da opinião pública é uma ciência exacta; pode-se fazer ganhar qualquer candidato desde que haja dinheiro ou se apliquem os golpes (sobretudo os mais baixos) ao adversário” (VISÂO)

Outra definição: «Spin doctor/spin – Assessor de mídia ou consultor político contratado em uma campanha para garantir que o candidato receba a melhor publicidade possível em uma dada situação. Por exemplo, após um debate entre candidatos à Presidência, o spin doctor de cada candidato procura os jornalistas para mostrar-lhes os pontos fortes de seu candidato e tentar convencer a imprensa e, por extensão, o público, de que seu candidato “venceu” o debate. Quando esses assessores de mídia estão trabalhando, diz-se que estão fazendo spinning ou pondo spin (colocando efeito) em uma situação ou um evento».

Mais uma definição:
«A gestão das notícias por profissionais de comunicação e por agências noticiosas, tanto independentes como ligados a governos ou ministérios. A profissionalização da comunicação pública em geral.
Os spin doctors* popularizaram-se no Reino Unido durante a década de 90 e estiveram especialmente associados ao apertado controlo que o novo Partido Trabalhista exerceu relativamente à sua imagem pública, antes do governo Blair, em 1997 (e subsquentemente). As artes negras da manipulação mediática eram usadas não só externamente, para controlar tanto quanto possível o fluxo, e até o estilo, da informação usada pelos jornalistas, mas também internamente, para assegurar que os próprios políticos trabalhistas permaneciam «on message» em todos os momentos.
(…) Nos últimos dias de governação, o governo conservador liderado por John Major foi perseguido pela sordidez e pelo escândalo, o que contribuiu indubitavelmente para a sua derrota nas eleições de 1997. Consequentemente, o «spin» podia operar em ambos os sentidos - como manipulação oficial, para proteger o governo, e como uma vingança dos que não têm voz, para «os manter honestos».
Uma das suas mais peculiares aspirações à fama provinha da afirmação de que o «spin» podia provocar a ocorrência de um acontecimento antes de ele ter acontecido. Parte da arte do «spin» consistia em usar contactos seleccionados e fugas de informação para provocar a cobertura na imprensa e na rádio ou em espectáculos televisivos antes da publicação de algo arriscado - por exemplo, um relatório crítico ou números pouco precisos sobre a economia.
* termo que designa o assessor de comunicação na área política (n. da T.).”
»

O que faz:
- influencia
- manipula (altera/constrói) a informação
- constrói a opinião (reviravoltas)
- aconselha
- não é o assessor de imprensa
- inventores de imagens/ideias
- recurso a grupos de controlo
- selecciona as ideias fundamentais, em função da opinião pública, aquelas que ela tem de saber/receber, quando e como é que; (não tanto as melhores, mas as que querem passar; geralmente até são as mais negativas)

características: (UMA ESPECIE DE GRELHA QUE PODEM APLICAR A DIVERSOS CASOS)
- são discretos (o lugar que ocupam na hierarquia é irrelevante, até pode não ter ligação efectiva), a desregulamentação da actividade… muitas vezes a sua existência até é negada… NO FUNDO É O ESTRATEGA
- acesso directo ao poder (tem muito poder) e relação de confiança com esse poder;
- insensíveis à necessidade de transparência (recorre muitas vezes à “campanha negativa” ou negra)
- conhecer meandros da comunicação e do marketing
- não deixa impressões digitais directas (não costuma aparecer), embora se possa atribuir (isto é, não há uma atribuição directa a determinada pessoa, que apareça a reclamá-la; “isto fui eu que fiz”), talvez mais tarde isso possa acontecer mas não no momento imediato- até porque ninguem gosta de ser manipulado…
- alimentar a opinião pública através de factos políticos que são divulgados pela comunicação social (que deve controlar de alguma forma), mas também podem ter de tratar de influenciar grupos de decisão (um parlamento?)
- criar mensagens (“frases assassinas”/sound bites) e gerir informações (exclusivos)
(os 10 mandamentos que aparecem na revista Visão e que dizem respeito sobretudo à parte de criar mensagens/conteúdos e lidar com os meios)
- o político não é um spin doctor; o spin doctor é alguém que trabalha para o político…

Frases-chave:
- “golpes sujos ou baixos”
- “vale tudo”
- “capaz de milagres”

Em Portugal, «O chamado spin doctor ainda é uma espécie de avis rara, geralmente chamado à laia de bombeiro, para apagar fogos, na comunicação com o eleitorado»

As estratégias de comunicação para dois livros

April 10, 2006

http://industrias-culturais.blogspot.com/2006/04/editora-guerra-e-paz-amanh-segunda.html
9.4.06
EDITORA GUERRA E PAZ

Amanhã, segunda-feira, serão lançados os quatro primeiros livros de uma nova editora, Guerra e Paz. Os títulos são: 1) Agustina Bessa-Luís, Fama e segredo da história de Portugal, 2) Eça de Queirós, Singularidades de uma rapariga loura, 3) Camilo Castelo Branco, Impressão indelével, e 4) Correspondência - Sophia Mello Breyner e Jorge de Sena.

No pequeno vídeo abaixo, regista-se a apresentação da editora pela voz de Manuel Fonseca, um dos seus principais dirigentes (imagens por mim recolhidas na passada sexta-feira).

A editora apostou numa inteligente campanha de marketing, que passou pela pré-publicação do livro de Agustina Bessa-Luís no blogue Abrupto e pela colocação de informação útil e de grande nível estético como a que resultou na capa da revista Pública de hoje (sobre o livro de troca de correspondência entre Sophia Mello Breyner e Jorge de Sena, em ilustração de Alex Gozblau). É um começo auspicioso.

Colocado por Rogério Santos at 4/09/2006 01:11:00 PM

Aula 17

April 2, 2006

ADITAMENTO a 3/4/06:
A aula não foi realizada porque desapareceu, do ISLA, o filme e portanto não houve visionamento. Sugiro aos alunos que procurem pelos seus próprios meios no Blockbuster ou que esperem que vos seja dada a indicação de que o filme «reapareceu», uma vez que estamos a fazer esforços nesse sentido (adquirindo um novo).

Sumário: Visionamento do filme «Boris»

Ficha: “Boris” (“Spinning Boris” no original) é um filme de 2003, realizado por Roger Spottiswoode, com Jeff Goldblum (George Gorton) , Anthony LaPaglia (Dick Dresner) e Liev Schreiber (Joe Shumate). (encontra-se em circuito comercial de DVD, Blockbuster)

Resumo da história: uma equipa de “consultores políticos” norte-americanos é contratada por apoiantes de Boris Ieltsin para o elegerem como presidente russo, em 1996. Quando chegam à Rússia, oito meses antes, Ieltsin tem 6 por cento das intenções de voto, contra os 30 por cento de Zyuganov, e é o presidente em funções; no final – aplicadas as tácticas desses “consultores políticos” – Boris Ieltsin ganha.

O filme é baseado em factos reais, que vieram a público numa história publicada pela revista Time (como o próprio filme documenta, uma vez que o jornalista da revista em Moscovo teve acesso ao caso mas comprometeu-se a publicá-lo apenas posteriormente). Na capa podia ler-se “Yanks to the Rescue; The secret story of how american advisers helped Yeltsin win”. Mas, sendo um retrato da realidade histórica, muitos dos pormenores acessórios que engordam o filme são construídos pelos argumentistas (porque se trata de um filme de «ficção» para ser apresentado no circuito comercial).

Matéria essencial para a aula: o filme mostra aquilo que muitas vezes se especulava mas nunca tinha vindo a público desta forma tão clara: como os políticos (e os eleitores) podem ser manipulados e um presidente vendido como uma barra de sabão (expressão usada no filme). No caso em concreto, os “consultores políticos” recorrem ao que designam por “jogo da eleição”, baseado em “focus group” (sondagens), manipulação (“há uma vaga na televisão para encaixar um apoiante de Ieltsin”; “a imprensa no bolso”), selecção precisa de mensagens e comportamentos (sorrir é fundamental, “soundbites de cinco segundos”) e campanha negativa (“é injusto”, diz a filha de Ieltsin, “o papá nunca usará este tipo de ataques” que são “truques americanos reles”; o “meu pai ainda tem dignidade”), nomeadamente aquilo a que chamam a “guarda avançada”;

Outras ideias soltas, retiradas do filme:
- eles serão “a voz do candidato”
- “nunca ninguém teve tanto poder” (os consultores)
- “nada de nomes”
- “mentir? Qual é o problema?”
- “nós nunca mentimos a quem nos paga”
- “o problema numa eleição é nunca se saber quem ganha” (citando um antigo líder soviético)

Nota suplementar: George Gorton e colegas foram, posteriormente (2003), os responsáveis pela campanha que elegeu Arnold Schwarzenneger governador da Califórnia.

Objectivos para os alunos:- identificar as linhas essenciais do marketing eleitoral (político) ali usadas
- identificar casos de manipulação

Aula 16

(corresponde à aula - em falta - do dia 6 de Março)

Luís Paixão Martins no ISLA/GAIA. (31/3/06)

[durante a sessão, e na parte da aula de Jornalismo Radiofónico em que preparámos a presença do LPM também, falou-se num novo livro que acaba de sair, com prefácio do próprio LPM, chamado «Propaganda», de 1928, escrito por Edward Barnays, considerado o livro fundador das relações públicas… e ainda hoje muito actual; editora Mareantes]

Os 17 alunos (!) que estiveram presentes são desafiados a escrever sobre o que ouviram de Luís Paixão Martins, relacionando-o com a matéria das aulas.
Algumas notas para ajudar descodificar o que ouviram (no caso de haver dúvidas):
- «branding»: a marca, o valor da marca, a capacidade de uma marca se afirmar na opinião pública; «um problema de branding» - essa marca, comercial ou política, por exemplo, está com problemas;
- «rebranding»: quando a marca está com problemas e precisa de mudar - de nome, de valores, de imagem (o Banco Espírito Santo fez recentemente um rebranding da sua imagem, por exemplo); um caso em concreto.
- «conselho em comunicação em relações públicas» é a expressão que ele adopta e que consta da APECOM; mas também junta o «marketing institucional»
- «spin»: para ele o mesmo que «influência»
- «marketing research»: fazer pesquisa através de sondagens, focus group ou tracking poll.

- o relações públicas é um manipulador? A resposta de LPM: se Cavaco Silva é esfíngico e a sua expressão facial não transmite informação (nem boas sensações), então os planos em que deve aparecer são mais alargados, meio corpo, para aproveitar a comunicação gestual. Isto é manipulação? Sim, se entendermos - como temos falado nas aulas - como uma forma de apresentar (parte d)a realidade que nos interessa!

PS 1 - os alunos que não estiveram na aula não deverão fazer o seu resumo em função dos resumos dos que estiveram, porque se limitarão a copiar (e isso não aceitarei). Duas hipóteses: ou encontram uma gravação da sessão ou fazem o seu texto pela net e pelos livros disponíveis, sobre o trabalho de Luís Paixão Martins (e há muito material).

PS 2 - não houve lugar a marcação de faltas devido ao facto de a aula ter sido realizada num dia diferente do de Estratégias de Comunicação.

Get free blog up and running in minutes with Blogsome | Theme designs available here

blogouve.se@ gmail.com


  • Entrada:
  • Meta: